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sábado, 8 de agosto de 2015

Meu namorado não apoia minha transição. E agora?

Nesses dois anos de transição, muitos grupos no facebook e muita discussão em muitos comentários, uma das coisas que eu acho mais triste de ler é "Meu namorado/marido não apoia/deixa minha transição capilar". Sempre fico muito chateada por pensar que essa falta de apoio, ou esse impedimento por meio de brigas está minando a autoestima de tantas mulheres. Por isso, resolvi escrever esse texto.
Namorados ou maridos são pessoas importantes em nossas vidas. Não dá pra falar "dane-se, pronto e acabou", como a gente faz com quem não é importante. Nós esperamos que eles nos apoiem em nossas decisões, seja uma grande decisão de carreira ou nosso corte de cabelo. E numa fase tão sensível da vida de tantas mulheres que é a transição, palavras ruins ou a indiferença de quem a gente ama, pode deixar esse período ainda mais difícil.
O namorado/marido que fala que você vai ficar feia, que cabelo liso é mais bonito, que se cachear ele te larga, além de estar sendo um babaca, está sendo abusivo. Seu corpo, seu cabelo, suas roupas e maquiagens são os meios que você tem de se expressar para o mundo, e se seu companheiro te deixa para baixo pelo jeito que você é ou quer ser, com certeza ele não é o parceiro ideal para você. Procure identificar se você está sofrendo violência psicológica. Não é normal que quem diz que te ama, te trate mal, te faça te sentir triste. Pra vocês saberem mais sobre relacionamentos abusivos, tem esse vídeo maravilhoso da Jout Jout: Não tira o batom vermelho (Não tira esses cachos também não menina!) Se você reconhecer algum dos sinais, miga, procura as amigas, toma coragem, força, eu sei que não é fácil e dá um pé na bunda desse babaca. Você merece mais que isso.
"Ele te faz de vez em quando, se sentir burra, feia, estúpida, inferior a ele, e faz você achar que é uma benção ele estar ao seu lado porque ninguém merece uma pessoa como você, mas ele aguenta. Então você tem que ficar pianinho, porque se você perder aquele ali, você nunca mais vai conseguir ninguém" - Jout Jout


"Não, Ana. Meu namorado/marido não é esse tipo de cara, mas ele não me incentiva de jeito nenhum. Nunca fez um elogio, nem se manifestou em relação à minha transição." Menos mal, mas continua meio bosta né? O que podemos fazer agora? Sentar e conversar.
Em toda grande decisão a gente gosta de ter apoio. Apoio é importante pra não desistirmos, pra termos certeza que estamos no caminho certo. Então é interessante buscar apoio de quem está com você nesse momento, e é aí que é necessário explicar pro cara porque você está em transição e porque é tão importante que ele esteja com você nessa fase da sua vida.
Diga seus motivos, seus desejos, mostre resultados de outras garotas, explique porque é um grande passo para sua vida. E se mesmo assim, não surtir efeito, tá na hora de dar uma analisada nesse relacionamento. Ele é sempre tão frio e indiferente a coisas importantes da sua vida? Ele não liga para o que te faz feliz? Ele não te incentiva a atingir seus objetivos? Não é um bom sinal amiga.
Espero que apesar dos pesares, com ou sem apoio do seu parceiro, com ou sem parceiro, você consiga seguir sua transição. Pense sempre que tem alguém que importa, busque as amigas dos grupos, busque informação, aprenda a se amar e saiba seu valor. Você é preciosa, nada menos que isso. Faça sua transição por você e por mais ninguém.


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Autoestima feminina

Hoje o post é bem curtinho, só pra falar rápido de uma tag que eu vi em um vlog que eu gosto bastante. A tag falava sobre autoestima feminina, e eu to procurando até agora onde realmente eles queriam saber da nossa autoestima.
As perguntas giravam em torno de como outras pessoas nos veem e em especial, como homens em geral ou namorado reagem a nossa aparência.
Autoestima é outra coisa. Autoestima, como o próprio nome diz é como a gente se sente em relação a nós mesmas. Existe, óbvio, todo um contexto no qual as pessoas estão inseridas que vão definir se a gente se sente bem ou mal em relação a nossa aparência, inteligência, capacidade...
Autoestima não pode ser só sobre beleza, padrões e aparecer bonita para que outras pessoas nos olhem. Uma autoestima elevada está ligada a nos sentirmos bem e confortáveis com o que e quem somos. A gostar do que vemos no espelho, no que sabemos fazer, nas nossas capacidades intelectuais, entre tantas outras coisas.
Não deixe que como você se sente dependa apenas de como as pessoas enxergam seu exterior. Nos amar é saber que temos valor, não importa nossa aparência, nossas roupas ou o julgamento ruim de outra pessoa. Enumere suas qualidades e defeitos e aprenda a amar e melhorar cada um deles.
Foto de Cesar Aponte no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Sobre 101 em 1001 e crescimento pessoal

Eu gosto de manter o blog como ele é. Pessoal e cheio de coisas sobre mim, sobre o que penso e o que gosto de fazer e falar. Gosto de olhar os textos e ver como meus interesses mudaram e como cresci.
Nos primeiros posts eu fazia muito look do dia, coisas como mostrar produtos e etc. Hoje o foco do blog é mais pessoal e cheio de dicas que eu espero ajudar alguém.
No final de 2012, quando o blog começou, o que vivo hoje era apenas um sonho, talvez um projeto. E nesse tempo outros surgiram no caminho e alguns ficaram para trás. E é sobre isso que eu queria falar hoje.
O 101 coisas em 1001 dias é de uma Ana Paula de um passado tão recente e ao mesmo tempo tão remoto. Muita coisa escrita ali já desisti. Não pelo fato de serem irrealizáveis, mas pelo simples não querer.
Um exemplo: aprendi a gostar mais do meu corpo, e com isso alguns objetivos foram excluídos. Por gostar dele e valorizá-lo não tenho vontade de fazer uma intervenção cirúrgica, nem olho na balança se meu peso passou do proposto.
Consegui outras coisas sem muito esforço, sem nem notar que eram projetos do 101 em 1001, como voar e ter uma cadeira confortável para estudar.
Os projetos eram interligados e eu nem notei muita coisa enquanto escrevia. Eu gostaria de decorar meu quarto, mas com a mudança de cidade (outro desejo), eu estou decorando meu apartamento! Fazer um almoço de domingo virou rotina e conversar com estranhos é sobrevivência.
Hoje eu noto o quanto essa Ana era diferente de mim e como ela sabia pouco da vida. Pouco sei agora e estou sempre aprendendo um pouco mais a cada dia.
Não, não estou desistindo do projeto 101 em 1001 hoje. Algumas coisas ficaram para trás, mas outras permanecem vivas dentro de mim. O que mostra que mudei, mas minha essência ainda é a mesma. Eu ainda quero ser mais solidária e politizada e tantas outras coisas que me propus.
Em menos de 1 ano eu cresci tanto... Esses projetos me ajudaram no processo. Espero continuar crescendo com minhas aventuras numa cidade diferente, com amigos da faculdade <3, com minha rede de amigas da internet <3<3, com minhas leituras, família e todas as coisas que importam pra mim.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Pote de sorrisos

Eu sei, eu sei. Tô atrasada nesse assunto e tô sumida, passei por uma semana corridíssima e essa promete ser pior.
No início do ano eu vi esse projeto, mas o que eu vi era assim: Um pote bonito e enfeitado e com grandes acontecimentos. E no mês passado eu conheci uma versão mais legal por uma vlogueira que eu acompanho.

O vídeo está aqui, mas eu vou resumir. Basicamente você vai escrever pequenas ou grandes coisas que te fizeram sorrir durante o dia, todo dia. Pode ser num pote bonitinho? Pode. Se você não quer deixar na vista, ou quer escrever assim que acontecer, faça como eu e monte uma notinha no celular. =)
Mas Ana, por que isso? Muitas vezes a gente vê coisas ruins na vida. Se eu te pedisse pra enumerar coisas boas e ruins da semana passada provavelmente sua lista de tristezas seria maior, mesmo passando por uma fase boa da vida. Esse exercício vai te mostrar as pequenas felicidades que são diárias e que realmente fazem nosso dia melhor. Os grandes acontecimentos são partes da vida, mas o dia-a-dia é feito de momentos alegres. O pote vai te ajudar a valorizar isso.
Eu comecei no dia 3 e vou dividir algumas coisas que estão na minha lista no mês que vem. Façam também e me contem suas experiências!

sexta-feira, 28 de março de 2014

Ninguém merece!

Acho que todos viram a pesquisa do IPEA sobre violência contra a mulher e homofobia. O resultado, portanto, vocês sabem. 65%, aproximadamente 2 em cada 3 brasileiros concordam que "Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas." E 58,5% afirmaram que “se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupro”. Particularmente eu sabia que muitas pessoas, inclusive dentro do meu círculo social, pensam assim, mas não achei que chegava a tanta gente.
Essa ideia é particularmente perigosa, e antes que me digam "tem que mulher que pensa assim e respondeu a essa pesquisa", eu sei. Mas algumas delas usam isso como uma forma de defesa. Ao apontar a roupa ou o comportamento da vítima como justificativa, a mulher se sente segura por não fazer parte desse "grupo de risco".
Infelizmente, se vestir 'decentemente' ou 'se comportar' não basta. De acordo com outra pesquisa do IPEA, pouco mais de metade das vítimas (50,7%) das vítimas de estupro são crianças menores de 13 anos, 88,5% delas são meninas! O que essas crianças deviam vestir? Seus agressores são conhecidos: pais ou padrastos (24,1%) ou amigos e conhecidos (32,2%). O estuprador desconhecido só aparece como maioria quando a mulher é adulta (60,5% dos casos).
Passando aos casos, isoladamente, uma idosa, virgem, foi estuprada e assassinada na frente de sua mãe. Outra mulher foi abusada na frente de seu marido. Um pai estuprou sua filha de 2 meses.
As vítimas de estupro são vítimas. Elas não são culpadas, não merecem, ninguém merece.

sábado, 8 de março de 2014

Texto especial Dia da Mulher

Hoje é dia da mulher. E eu queria falar um pouco sobre como é ser uma mulher adolescente.
Ser mulher adolescente não é fácil. Somos silenciadas duas vezes. Primeiro por sermos mulheres e segundo por sermos jovens. Porque "mulher é tudo cheia de hormônio e age pela emoção" e "essas novinhas não tem experiência nenhuma de vida".
Nossas opiniões nunca são levadas a sério. Ideologias, religiões e até coisas bobas como gosto musical. Se vamos contra o que a maioria pensa é apenas porque estamos em uma fase rebelde e mudaremos em breve. Se muitas meninas jovens gostam é modinha, se uma não gosta está tentando ser diferente pra agradar um garoto.
As revistas adolescentes fazem parecer que o mundo das garotas é só sobre garotos. Você precisa estar bonita pra estar com ele, você precisa saber o que eles pensam sobre sua aparência e personalidade. Nessa fase crucial da construção de nossas personalidades tentam colocar em nossas cabeças que o certo é se preocupar com o outro. Não nos ensinam a amar nossa aparência e o que fazemos e queremos.
Preciso saber qual é o cara perfeito e como agarrá-lo. É pra isso que eu vivo!

Nossas referências são super magras, com peles perfeitas e cabelos impecáveis, e em sua maioria brancas. As meninas negras, indígenas, árabes, entre outras não tem em quem se espelhar e se não estamos nas revistas somos feias, óbvio. Então vamos mudar nossos narizes, alisar ou colorir nossos cabelos, entrar em dietas malucas. Tudo pra ser bela, ou ao menos aceita.
Porque se você tiver barriga, não se atreva a colocar biquíni. 

Somos sexualizadas a partir do momento que nossos corpos não são mais de crianças. Mas se gostamos deles assim e os expor somos tachadas de attwhores, vadias e piriguetes. Se beijamos aos 12 anos falam que somos muito ‘atiradinhas’, se esperamos até os 16 estamos sendo antiquadas. Se garotas engravidam aos 14 são sem juízo (até pq a garota fez a criança sozinha), se decidem esperar um namoro sério ou um casamento pra ter a primeira vez estão sendo bobas e não sabem aproveitar a vida.
Algumas, menos afortunadas, ainda lidam nessa fase com pressão do namorado para fazerem sexo, ou sofrem violência dentro de suas próprias casas, por familiares ou conhecidos. 
Em meio a aparências e opiniões, nós, garotas ainda precisamos lidar com outras questões. Relações familiares, amigas e amigos, carreira. Como lidar com pais que não entendem nossos anseios? Amigas existem, ou todas estão sendo falsas até conseguirem algo? (Quero falar disso em breve) Quero seguir uma carreira? Qual?

São muitas as questões que mulheres adolescentes passam. Não é fácil, mas não quer dizer que só de tristeza nossa vida é feita. É a fase mais intensa, que temos paixão pelo que fazemos, que podemos nos dedicar ao que nos faz sorrir. Então hoje que o dia da mulher não sirva só pra receber ‘parabéns’ vazios, mas como um momento de reflexão sobre o que é ser uma garota no nosso mundo. 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Não passei. E agora?

A ideia desse post veio conversando com uma amiga que não passou no vestibular. Ela estava muito chateada e pediu uns conselhos. Mais tarde o Jubilut postou na fanpage do Biologia Total esse vídeo.
Mesmo tendo passado eu assisti ao vídeo e tive vontade de falar sobre isso aqui, já que os posts mais visualizados do blog tem a ver com estudo e vestibular. Algumas dicas servem pra quem não passou de ano no colégio também.
1- Permita sua tristeza
Não precisa morrer de desespero. É triste a sensação de ter perdido um ano, mas não é o fim do mundo. E se seu curso for muito concorrido, muitas pessoas estão passando pela mesma situação que você. Entretanto você não precisa fingir que não se abalou. Chore um pouco, desabafe com alguém, fale com pessoas que estão na mesma situação que você.
2- Supere 
Depois de passar o tempo da tristeza, erga a cabeça. Você não é um fracassado e o ano não foi perdido completamente, o que você aprendeu está aí no seu cérebro. Supere. Não deixe que falem que você é burro porque todo mundo passou e você não. Talvez seu curso seja mais concorrido, talvez a faculdade que você quer tenha um vestibular mais difícil. Ou talvez você apenas não se esforçou o suficiente. Agora não dá pra voltar e mudar o passado, supere isso e faça dessa vez ser diferente.
3- Planeje
Agora é hora de planejar. Reflita os motivos que impediram essa conquista. Falta de estudo, cursinho ruim, indisciplina? Preste atenção nisso e planeje as mudanças. Faça um cronograma de estudo realista. O meu pode ser uma inspiração, mas é diferente pra cada pessoa. Vai estudar em casa? Vai pagar cursinho? Existe cursinho grátis por ONGs na sua cidade? Tudo isso tem a ver com planejamento.
4- Estude
Sente e estude. Leia, releia, faça exercícios. Essa parte só depende de você.

Outras dicas

Tente ignorar os parentes nesse momento. Primos, tios... Nessa hora só falam e enchem o saco. Contam história do primo que passou nas UniEsquina da vida... Ignore isso. Só absorva se eles tiverem algo bom a dizer.
Não faça o curso mais fácil de passar. "Ah, eu queria mesmo medicina, mas já que não consigo vou prestar pra enfermagem". Todas as profissões são importantes, mas se esforce pra fazer o que quer, ou você vai fazer o mais fácil de passar, buscar jeitos mais fáceis pra terminar seu curso e se tornar um profissional medíocre e sem expectativas.
Não faça a faculdade ruim porque é mais fácil. Tem muitas particulares boas e muitas (bem mais que as primeiras) ruins. Talvez a particular boa seja mais cara e mais difícil, mas ela é mais conceituada e vai contar pontos lá na frente.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Divagações sobre o início do ano

Primeiro queria pedir desculpas pela falta de atualização, confesso. Pura preguiça. Tirei um tempo pra ficar a toa, mas senti vontade de voltar e voltei. Sem bronca né?
Bom, esse início de ano está sendo maravilhoso pra mim. Passei para medicina na UFMT e isso tirou um peso enorme das minhas costas e do bolso também, pagar mensalidade de medicina é difícil. Bom, eu fui fazer a matrícula e amei a cidade. Eu passei no campus de Rondonópolis, a cidade é um pouco menor que a minha, as pessoas por lá foram todas muito simpáticas, o único problema lá é o calor. 37 graus ao meio dia (socorro).
Eu cortei meu cabelo. Minha ideia era tirar toda a química, mas a cabeleireira me passou medo e eu fiquei meio em dúvida e não cortei. Eu não indico ela pra ninguém, apesar do corte ter ficado bacana, achei ela muito intrometida.
Estou saindo mais, com amigos diversos. Conheci a linda dona do blog Pedaços da Felicidade, Dany, ela mora em Anápolis e é uma fofa gente! Assistimos Confissões de Adolescente e pelo menos pra mim foi bem divertido. Conta aí, Dany!
Descobri que minhas férias vão até Abril por causa das greves das federais e decidi então tratar do meu cabelo até lá. Quero fazer o BC antes de entrar na faculdade. Vou seguir o projeto de crescimento capilar da Brenda Lima e vou contando pra vocês.
Por hoje é isso. Vou falar mais sobre a mudança e faculdade quando for chegando perto. Um beijo!

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Coração de Garota - Eu sempre vou te querer bem


"Eu nunca vou te esquecer"

Quebrei a promessa de nunca mais dirigir uma palavra a você. Quebrei, porque a necessidade que eu tenho de você as vezes soa maior que qualquer promessa de indiferença. 

Quase sempre eu sou forte. Me seguro pra não correr pra você e te contar sobre o caso engraçado que aconteceu no meu dia, sobre alguma coisa que vi na internet que te faria rir, ou  algo que eu vi na rua e me lembrou você. Me seguro pra não contar sobre a falta que você faz, sobre quão horríveis são minhas noites insones sem você pra me fazer rir baixinho tentando não acordar meu irmão no quarto ao lado, e sobre como eu me sinto uma completa idiota depois daquela briga.

Não é como se tivesse sido sincera com você. E você sabe que não. Eu nunca te desejaria mal. Nunca te acharia fraco. Também acho que você deveria saber que não é lá verdade que meus pais ou meus amigos não gostam de você. Talvez, só talvez eu expus muito muito mal, e de forma completamente dramática o fato de que eles se preocupam comigo. E só.
Mas sejamos convenientes, toda essa bagunça não foi sem razão. Fui ferida e enganada. E odeio parecer "fraca". Definitivamente, esse é um lado que poucos conhecem,  por conta disso, eu não ia sair de tudo assim, por baixo. Toda aquela cena foi uma auto defesa.

Quando me esqueço de tudo isso, de todas as coisas ruins, as mentiras e as brigas, então me vejo mais derretida e saudosista do que o habitual. Volta e meia me pego gargalhando, lembrando dos nossos casos, e quase, quase fraquejo. Quase te procuro, quase mostro que ainda me importo, ainda me preocupo, ainda sinto sua falta. 
Mas após um minuto de devaneio, da vontade de te ter aqui e de ter o seu abraço a qualquer hora, sinto meus pés no chão ao lembrar que independente disso, você está bem. E envergonhada do fato de ainda me importar com isso enquanto você nem se lembra mais.

Talvez esteja passando da hora de eu deixar pra lá também. Porque não posso simplesmente ignorar o fato de que você me conhece demais pra acreditar na minha pose de "durona" , e em toda essa maldade que você pensa que eu carrego comigo. Logo você, dono das minhas palavras mais doces e das minhas crises mais sentimentais de todos os tempos. Também não posso ignorar que se eu fosse mesmo tão importante, talvez, só talvez eu não precisaria encher sua caixa de emails com dezenas mensagens sobre como eu te quero por perto, como eu me preocupo com você. Você nem mesmo me deixaria ir. E eu não precisaria fugir, com medo de me machucar. Medo em vão, porque, inevitavelmente isso aconteceu.

Agora parece tarde demais pra tentar um recomeço. Não que volta e meia eu não sonhe com você ali no meu portão, disposto a esquecer tudo. Seria mentira se eu dissesse isso. Mas é que você está feliz. Não vamos estragar isso.

Pode ser que essas palavras sejam um adeus. Ou um até "Não me impeça de ser boba e me importar com você se a saudade gritar. Eu sempre vou te querer bem" 

Gabriela Costa

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Coração de Garota - Um texto pra nós dois


Diferente de tudo o que eu escrevi até hoje, ninguém palpita sobre pra quem é essas palavras. Isso porque ninguém sabe da gente além de quem realmente interessa: Eu e você.
Não é como se eu visse futuro pra nós, porque desde o início eu soube que você não faz o tipo que gosta de um mesmo muito tempo.
Mas não posso deixar de escrever sobre nosso breve romance indefinido. Nosso lance de toda hora, de qualquer hora...

Quem diria, logo eu usando essa palavra: "Lance" . Me divirto lembrando do nosso primeiro encontro. Se é que posso chamar aquilo de um encontro. Foi mais algo pra "acaso". E naquele acaso eu fui logo despejando em você as coisas ruins que eu vivia no momento. Eu precisava conversar com alguém. E enquanto eu desabafava sobre meus problemas na faculdade e minhas decepções amorosas, tragédias, você me tirava do sério, rindo da minha cara, fazendo com que eu me sentisse uma tola. Me lembro de dar um tapinha leve no seu braço e te chamar de bobo. O mais alto elogio que posso dar a um cara. E você retribuiu  deslizando seus dedos pelo meu rosto e dizendo: "Pra que tanto drama minha menina? Não preocupa vai! A vida tem dessas coisas, você se recupera"
Eram as palavras mais confortantes que alguém poderia me dizer naquela hora. E naquele momento eu soube que ficaria mesmo bem.

Enquanto nos fartávamos com toda aquela comida nada saudável, você me fez rir como nunca com suas histórias absurdas. E foi se aproximando, se aproximando. Me deixou rendida.
Quando resolvemos fugir dali em caminho pra lugar nenhum, uma chuva nem tão intensa assim caia. E você você resolveu parar o carro por segurança. Mal sabia eu que era só mais uma artimanha pra você e seu jeito malandro me roubarem um beijo, dois, ou dezenas deles. E enquanto eu achava conforto encostada no seu peito, sentindo seus dedos escorregando pelos meus cabelos, vendo as gotas de chuva deslizando pela janela, eu soube que nossa história não seria uma dessas pra ser contada. Não é como se a gente quisesse ser um casal perfeito. Ou ser um casal. Nada de expectativas lançadas sobre nós ou demonstrações públicas de afeto. É só como se a gente quisesse ser feliz. E só.
Você é meu cúmplice, e eu sou sua menina. Até a hora de alguém ter que partir.
Coisa só pra dois.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Vestibular e negrxs

 Quem me conhece um pouco sabe que esse ano estou prestando vestibulares para medicina. Até o momento foram 4. 2 particulares, 1 conveniada e 1 federal. Enquanto eu estava esperando a prova começar (chego bem cedo sempre), reparei em um padrão. Negros e negras não eram nem 15% dos concorrentes.
 De acordo com o IBGE, pessoas que se autodeclaram negras ou pardas são 51% da população. Mas não parece quando você olha salas de cursinhos e de vestibulares. Na UFG minha sala de prova tinham 60 alunos, 7 pretos (negros ou pardos). Na PUC, 4 em 40. Unirg, 4 em 50. Unievangélica, 4 em 50. E em todos esses meninos e meninas, apenas os meninos, e uma das meninas não tinham cabelos alisados.
 O "teste do pescoço" nesses lugares traz resultados preocupantes. Nós somos 50% de todos, mas não somos 50% dos médicos, engenheiros, advogados, entre outras profissões que precisam de curso superior. Nós nem tentamos! Não somos 50% dos vestibulandos e estudantes de escolas particulares.
 E de onde vem toda essa desigualdade? Do passado de escravidão que todos os negros carregam nas costas. E depois quando nossos antepassados não foram incluídos no mercado e o racismo continuou com homens e mulheres livres. E depois quando nossos pais tiveram que trabalhar muito cedo e saíram do colégio. E depois quando não estamos nas universidades fazendo os cursos que desejamos.
 Mas nós estamos aqui. Estamos do lado de vocês. Nos subempregos e nos ensinos médios sucateados. Nos presídios e nas favelas. Com o trabalho que o homem branco não quer ter. Mesmo assim nossa voz não vai se calar.
 Não! O dia da consciência negra não é "racismo ao contrário" nem um dia qualquer. É dia de abrir os olhos e ter consciência: o racismo não acabou, a desigualdade não acabou e precisamos lutar. Nós precisamos desse dia e de todos os outros ao longo do ano para percebermos e nos empoderarmos cada vez mais.

sábado, 2 de novembro de 2013

Algumas impressões sobre a transição: saúde e autoestima negra

Quando eu decidi entrar em transição, contei pra várias pessoas que eu sabia que me apoiariam e outras que eu tinha que falar como minha família e namorado. E é lógico que todo mundo me perguntou por quê. E é difícil verbalizar tudo que se passa nessa cabeça.
Meu primeiro alisamento foi uma progressiva, quando eu tinha só 10 anos de idade. As pessoas elogiaram, falaram que eu tava mocinha agora que cuidava (só que não) meu cabelo. Ninguém repreendeu e agora tem gente querendo fazer isso! E agora que eu estou cuidando de mim e da minha saúde e auto-estima como mulher negra.
Eu sei que a informação que roda sobre alisamentos e seus riscos é muito superficial, simplesmente porque química vende, vende muito e falar dos riscos pra saúde de uma criança alisada vai prejudicar o lucro de alguns grandes empresários. Mas é importante saber que química não é saudável pros fios, pro sistema respiratório, pro couro cabeludo e etc. E eu não sabia disso, porque ninguém me avisou antes. O que aparece é as vezes na TV, alguém fazer uma matéria falando de alguém que ficou careca, tudo muito distante como se não fosse acontecer comigo.
Eu tive muita sorte, por meu cabelo ser forte. Lembro quando era adepta de relaxamentos, meu cabelo ficava super seco, mas eu achava que a progressiva hidratava o cabelo (falta de informação TOTAL) e fazia química sobre química, e no alto da minha falta de conhecimento, usava relaxamentos para cabelos afro(nunca foi). Ele aguentou muito bem a tudo isso, e quando eu cortei mais curto, era só por motivos estéticos, eu amava o cabelo curtinho.
Foto de dezembro de 2010 (sem secador, babyliss ou chapinha)
Agora eu percebo o tanto que fiz meu cabelo sofrer e agradeço por ele ser tão forte, e ele conseguir ficar num tamanho gigante (pelo menos pra quem usa química)!  Hoje, sinto que meu cabelo não está saudável, mesmo cuidando dele, está destruído pelos processos químicos e a única solução é a tesoura. 
Foto de setembro de 2013 (chapinha no comprimento)
Nesse tempo de transição o que fica muito em foco é sua autoestima. Geralmente a decisão de alisar tem a ver com uma baixa autoestima criada por um padrão de cabelos eurocêntrico, que eu quero falar mais tarde sobre isso. Passar por essa fase difícil com duas texturas, afeta bastante o modo como nos vemos. Raiz alta sem definição e cabelo sem volume alisado é um tormento, mas o que ajuda muito é pensar que isso passa. 
Aceitar os cabelos cacheados e crespos é um dos momentos mais importantes para mulheres negras. É legal durante o processo ter inspirações e informações sobre o universo negro. 
A consciência étnica foi um dos motivos para minha volta aos cachos. Reconhecer os cachos e crespos como bonitos e aceitar minha negritude está sendo importante na minha vida, e recomendo este site para quem está buscando sobre o assunto. 
Iniciei o terceiro mês ontem e nesse tempo eu não tive dias ruins, de mal com o cabelo e minha aparência. Estou usando solto e sem chapinha porque minha raiz não faz cachos, só fica alta mesmo, não dá muita diferença ainda.



Coração de Garota - Coisas que eu não sei dizer olhando pra você



“Vamos ser sinceros. Eu não sou como você esperava. Talvez eu seja bem mais do que isso. E talvez até mais do que você mereça. Porque eu sou fiel aos meus sentimentos. Vou estar com você quando eu quiser MESMO estar. Vou te ligar quando eu quiser falar com você. Porque eu não passo vontade. E nem vou passar vontade de você. Odeio fazer joguinhos. Quando me entrego, entrego mesmo. Eu abro meu coração.  E se te disser que não te quero, meus atos vão me desmentir. Porque eu falo antes de pensar. E se estou com você, aí, não penso em nada. 

Então, é melhor você não perder mais seu tempo comigo. Porque eu não sou mais um corpo que você achou na noite pra te satisfazer, ou alguém que você precisa conhecer, porque você já me conhece. Eu não sou só mais uma boca qualquer que simplesmente precisa ser beijada. 
Eu não me importo de lutar pelas coisas ao seu lado. Não preciso do seu dinheiro, menos ainda do seu carro ou algo do tipo. Mas, talvez, eu precise dos seus abraços, das suas mãos, do seu colo pra eu me deitar. Dos seus conselho quando eu, meio menina, não souber o que fazer. 

Eu não vou te pedir nada. Não vou te cobrar aquilo que você não pode me dar. Mas uma coisa, eu quero: Se você quiser estar comigo, seja todo você. Corpo e alma. Por favor, não me dê metades. Não me venha com falsas promessas. Eu não me iludo com coisas extravagantes. Me iludo com palavras simples. Não me iludo com presentes caros, porque eu não estou a venda. Vou me encantar muito mais por bilhetes sobre como eu sou complicada demais. Mas não me impeça de comprar algo que vai te fazer lembrar de mim. 
Não me importa onde você mora, se você souber o caminho da minha casa. Pouco me importa o quanto você ganha. Me importa mais saber se você ganha o dia quando descobre que você é quem me mantém escrevendo. 
Você nunca vai me ver mentir. Desista. Não vou mentir sobre o que eu sinto. Não aguentaria mentir sobre você por um segundo. Não na sua cara. Talvez mentiria pras minhas amigas sobre você. Diria até que você tem um quê de "Don Juan Conquistador" mesmo sabendo que a farsa seria descoberta, cedo ou tarde. Mas por favor, não me faça mais mentir e dizer que não te quero. Que eu não estou na sua. Não me obrigue a fazer joguinhos. Não me obrigue a dizer “não” quando eu quiser dizer “sim”. Não me faça tirar você da minha vida porque ainda é por você que meu coração acelera.

Mas eu repito: Não perca seu tempo comigo.  Não me conte sobre suas histórias e seu passado se eu não puder viver seu presente. Não faça planos comigo se não tem intenção de cumpri-los. Não me apresente seus amigos se for pra eu virar só "mais uma". Não quero entrar no seu carro se não puder entrar na sua vida. Poupe-me do trabalho de decorar seus trejeitos se não for pra nada. Diga que me quer por perto apenas se for verdade.  Peça minha companhia quando não desejar só me usar. Ligue-me quando tiver algo pra dizer."

Gabriela Costa

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Super Herói



"Encontrei um super herói. Matutando na minha cabecinha meio iludida, essa foi a melhor forma de descrever você. Longe de mim essa história de príncipe. Por mais encantadores e mágicos que eles possam parecer, a ideia da perfeição nunca me agradou.  Isso porque eu amo defeitos. Por mais bobos que eles possam parecer. Amo esquisitices e manias.  Amo o ser e não o parecer. Amo gente de verdade.
Assim, se fosse pra mim escolher um ser lúdico, eu escolheria os super heróis. Sim, porque nos super heróis não há a ideia da perfeição. Super heróis tem sempre um ponto fraco, e ainda são capazes de deixar a cidade sã e salva no final do dia. Tem muitos defeitos, e mesmo assim salvam a garota do cara mal. Super heróis não são bonzinhos o tempo todo.

E você que na sua vida comum ganhou esse titulo honroso na minha lúdica e diferente história de contos de fadas.  Não sei como aconteceu. Só sei que já faz um tempo em que gosto de pensar em você dessa forma. Meu herói. Tão destemido pro mundo, mas tão abarrotado de medos bobos. Cheio de aventuras que em meus devaneios jamais sequer pensaria viver algo igual. Voando alto e intocável, e mesmo assim o melhor amigo que alguém poderia desejar. Um poço de sinceridade cheio de desculpas esfarrapadas. Imponente, porém me deixa destemida pra ser quem eu sou, sem máscaras. Durão que chora assistindo filme de romance, e que salva a mocinha das suas paranoias bobas.

Em todo esse tempo, não houve quem mais eu pudesse nomear dessa forma. Porque caras comuns não tem seus super poderes. Sim, super. De afugentar meus medos e  minhas tristezas, ou que me fizesse querer mais e mais dele. Ou o super poder de me fazer bem quando ninguém mais podia. Nenhum "não super herói" que me fizesse ter tanto a vontade de faze-lo sorrir. Meu herói indefeso, que me faz querer cuidar e amar. Corajoso que me faz querer ser uma mocinha a ser salva"


Gabriela Costa

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Coração de Garota - Sentimento Inocente

     "Estamos todos sozinhos, e tudo que queremos é alguém para prestar atenção e nos dizer que somos bonitos"


Cresci ouvindo conto de fadas. Cresci vendo filmes sobre amor verdadeiro, esperando o "felizes para sempre". 
Buscando por aquela pessoa especial. Aquela com que poderia contar, que vai cuidar de mim quando estiver doente, achar graça das minhas piadas ruins,me fazer rir em um dia difícil, se preocupar comigo mesmo depois de uma briga, conhecer minhas manias e trejeitos.
Porque chega uma hora da vida que já não é tão bom ser sozinho. A gente precisa de alguém, não pra nos completar, mas pra nos transbordar. 

Sou dona de sentimentos inocentes. Não tenho dúvidas sobre a pureza do que sinto. Quando amo, é de corpo e alma. Verdadeiro. Sou intensa, sou tudo ou nada. Sou boa sem medo de ser. Ainda mais quando se trata de sentimentalismo. Não tenho medo de pular de cabeça, de ir com tudo quando o assunto é o que eu sinto. Meio iludida, acreditando no meu príncipe encantado. Não, nada de alguém perfeito. Até porque, me encanto por defeitos. Me encanto por manias e esquisitices. Porque na minha cabecinha, a "pessoa dos sonhos" é aquela em que a gente não precisa fingir algo que não é.

E nessa minha busca da "pessoa dos sonhos" , acabei sim entregando meu coração pra quem não deveria. Já fui uma vítima desse erro. Mais de uma vez.
Me enganei com alguém que achei ser "tudo". Alguém que jurava a mim mesma ser aquela em que eu pudesse despejar toda minha intensidade, e meus sentimentos inocentes. E meu sexto sentido, cegado pela paixão, acabou me guiando errado. E ai veio toda aquela dor horrível. Dor de coração partido.
Mas diferente de tanta gente ao meu redor, que deixa a dor endurecer o coração, que deixa de acreditar na pureza dos sentimentos, e que brinca com o dos outros, escolhi continuar a acreditar na bondade. 

Talvez eu seja boa de mais. Ou boba de mais. Acontece que eu não quero desacreditar que ainda existe sinceridade quando o assunto é o que se sente. E se todas as pessoas do mundo se tornarem frias e desacreditadas, eu quero ser a exceção. Porque quando eu finalmente encontrar minha "pessoa dos sonhos" , quero ter a certeza de que não vou perde-la por dúvidas ou por medo de demonstrar o que tá aqui, dentro do meu coração "meloso".

Gabriela Costa


 "Mas não importa o que o amor atira em você, você tem que acreditar nele. Você tem que acreditar em histórias de amor e em príncipes encantados e felizes para sempre" - Taylor Swift

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Coração de Garota - Não sei de nada.




Pra mim não há mais certezas do que você ser uma grande dúvida. 
Quando me perguntam sobre meu coração, claro que penso em você, mesmo depois de tanto tempo. Mesmo depois de tudo. 
Mas eu evito falar assim. Evito porque não tenho mais convicção sobre o que eu sinto. É uma espécie de amor bipolar.

Isso de "bipolar" não vem do nada, já que somos tão diferentes. Eu olho pras desigualdades e só consigo pensar  que nunca daria certo.
Mas ao mesmo tempo há tantas coisas iguais. É como se fossemos pólos opostos de uma mesma pilha, que juntos faz um sistema funcionar. 
E toda essa diferença, toda essa incerteza que você me passa, todas as dúvidas sem fim me fazem saber menos ainda sobre um sentimento que já não conhecia. Porque eu não sabia o que era amor antes de te conhecer. E quando te conheci, o amor passou a parecer pra mim algo duvidoso. Bom, mas incerto.

A única certeza que eu tenho é que quero você. E quando te coloco mais longe é que te preciso mais perto. E quando não te quero é quando eu te quero mais. E quando eu brigo, já é pensando em fazer as pazes. E quando não te procuro é porque tô te querendo muito. Quando eu choro pra você, é querendo que você me faça rir. E quando eu faço drama, tô querendo atenção. E quando peço pra conversar comigo, tô querendo ouvir sua voz. E quando eu digo oi, quero te contar meu dia. E quando digo "vai embora" , quero que você fique. E quando te chamo de bobão é quando penso que você é incrível. E quando digo que não tô nem aí, é quando me importo mais. E quando eu te xingo é querendo dizer "eu te amo". Isso tudo te odiando. 


Pra ser sincera, quando se trata de você, não sei de nada. Vem aqui e me diz o que eu sou pra você. Me dá um pouquinho de certeza. Que seja tudo ou que seja nada.



Gabriela Costa

domingo, 1 de setembro de 2013

Desacelere

Hoje é domingo. Provavelmente você acordou tarde, almoçou quase três horas da tarde. Domingo é o dia da preguicinha, de desacelerar pra recarregar as baterias pra vida corrida que começa amanhã. Não! Não precisa ser tão corrido assim.

Tente essa semana desacelerar. Eu sei que pode parecer difícil, mas vai por mim, às vezes você dificulta as coisas. Quanto tempo você leva pra se arrumar de manhã? Tempo demais né. Ficou 10 minutos procurando e/ou escolhendo a roupa que vai usar. Por que não fez isso na noite anterior? Não achou o sapato no meio desse monte de bagunça. É, eu sei o que acontece aí. Se você se organizar, vai poder desacelerar.
James Gleick diz que “A aceleração é uma escolha que fizemos. Somos como crianças descendo uma ladeira de skate. Gostamos da brincadeira, queremos mais velocidade”. Criamos elevadores, escadas rolantes, carros mais rápidos e botões de acelerar qualquer coisa. Nossos avós sempre dizem que no tempo deles era tudo mais sossegado, não essa correria de hoje em dia, eles não corriam porque faziam o que era realmente importante: trabalho e cuidar de seus filhos. Os carros andavam a 40 km/h e estava tudo bem.
Ganhar tempo, ganhamos, mas ganhar tempo para o quê? Você gasta esse tempo com seus amigos e sua família? Estudando coisas divertidas? Se não investe esse tempo em nada em particular, desacelere! Só amanhã: não fure o sinal, aguarde e evite um acidente ou uma multa. Não aperte o botão do elevador duas vezes (não adianta nada!). Não dê um selinho rápido, beije apaixonadamente. Ande devagar. Se arrume mais cedo e chegue na hora. Depois de fazer isso, me conte como foi seu dia. Aposto que será bem menos estressante.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Coração de Garota - Calmaria acomodada


Então comecei a pensar em nossas razões. As coisas já não eram mais as mesmas, é verdade. Mas eu insistia em omitir isso de mim mesma. Eu ainda amava você. Ainda amo. E não estava disposta, ou pronta pra te tirar de vez da minha vida. Acontece que é sempre bom ter alguém com quem contar. Um amigo, um companheiro. Mas eu sabia que o tempo havia chacoalhado as coisas. Não de um jeito bom, como uma brisa leve e fria em um dia quente de verão, mas sim de uma forma densa e devastadora como um tornado que tira tudo do lugar. 
Não foi ontem que te conheci. Por mais que parecesse assim. Na verdade já se passaram anos. Eu sou uma grande estudiosa quando o assunto é você. Sei suas manias, seus defeitos, suas qualidades. E por ser uma grande conhecedora sua, durante a desordem dos meus pensamentos antes de dormir, percebi o quanto você mudou. Quisera eu que fosse de uma forma boa. Foi de um jeito cômodo. Talvez o seu pensar em já me possuir, fez se apagar aquele brilho nos olhos, aquele frio na barriga, fez secar as mãos suadas, sessar as pernas bambas. Quando foi que isso acabou, que eu não percebi? Provavelmente a partir da data em que você resolveu que não teria mais que me conquistar a cada novo amanhecer. Ai não tem amor que aguente. Não tem amor que aguente o comodismo, a passividade. Não tem amor que aguente alguém que não quer mais se oferecer , se tem guardado só pra si. Talvez fosse por isso tantas brigas.
 Eu sabia que amava você, mas estava tudo tão calmaria que, eu precisava brigar pra sentir alguma coisa. A tensão me fazia sentir algo aqui dentro que você não me proporcionava a algum tempo. Ficou evidente sua falta de sinceridade comigo. Imagino que talvez você estivesse assim como eu. Talvez não estivesse pronto pra me deixar partir. Ou talvez tinha esperança de que, aquele tornado voltasse a pairar sobre nós, não pra tirar tudo do lugar, mas para colocar ordem em nós dois.
Mas e se ele não voltar?  Atitude!
Gabriela Costa

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Coração de Garota - Recíproco




Como eu queria que fosse você o meu amor recíproco.

"Já amei muito nessa minha vida. É verdade. Desde que eu me entendo por gente, não me lembro de um único dia da minha vida que não estivesse amando. Seja uma música, um personagem, ou um cara da minha escola. Sempre amei. Amores que não eram amores. Amores que duravam a eternidade de um mês inteirinho. E quando esses "amores" acabavam, estava eu desesperada em busca de algo novo. Não por preencher um vazio, mas sim porque eu sempre adorei a sensação que o amor nos causa. Deixa a gente bobo, vendo sempre o lado melhor das coisas.
Mas nenhum desses amores alguma vez foi reciproco. Eu também não fazia lá tanta questão assim. Estava amando por mim mesma, por conta própria. Pra ter o que conversar com minhas amigas quando a pauta da conversa fosse essa, quando a rodada chegasse em mim. Criei até "amores inventados" . Amar um alguém que existia só na minha cabecinha criativa. Já houve momentos em que me aterrorizava a ideia de não ter sobre quem falar quando me perguntassem  "Então, como anda seu coração?" . 

Só que chegou uma hora em que isso não me satisfazia mais. Não sei porque. Talvez por culpa da maturidade que os anos trazem. Não conseguia mais suprir essa vontade louca de amor, porque simplesmente nada me bastava. E meu coração? Não me assustava mais a ideia de dizer que estava limpo, a espera de mobília nova. De um novo dono que pudesse o pintar da sua cor preferida, e mobiliar. Ficar a vontade, fazer morada. 
E depois de algum tempo, quando já havia eu me acostumado com a ideia de nada de amor, nada de reciproco, me apareceu você. Com jeito de quem não quer nada, chegou e me tomou. Sem eu perceber. Sem você perceber.Se aproximou de repente e me mostrou sensações novas que os amores tolos que eu conhecia antes nunca haviam provocado em mim. Mais do que boba, e vendo o lado melhor das coisas, me senti com as mãos frias, pernas bambas, borboletas no estômago, gaga. 
Estava tão a vontade com você. E como nossa conversa flui fácil. Tão fácil que não me dá tempo ou escolha de fazer tipos. Por isso, com você só posso ser eu. Uma eu que tão poucos conhecem. E que nunca tive vergonha de mostrar pra você.

E eu que nem fazia tanta questão assim de ser amada de volta, pela primeira vez na vida desejei que esse amor fosse reciproco. E desde então, não havia uma única noite em que eu deitei a cabeça em meu travesseiro e não desejei ver você em meus sonhos. Não houve um momento que eu não quisesse você ali do meu lado. Sempre me peguei imaginando como eu poderia tanto me esforçar pra fazer você feliz. Como eu poderia ser tudo o que você quis. Tudo o que eu conseguia pensar era como fazer pensar em mim. Como eu queria que fosse você o meu amor recíproco. Meu primeiro caso de amor onde eu era amada de volta. Me dedicar a você e você a mim. Como eu queria que fosse você o amor a durar mais de um mês inteirinho. Uma vida já era o suficiente pra mim.

Escute o que eu digo: Eu nunca havia me sentido assim antes. Acredite em mim, estou disposta fazer isso acontecer, se você topar. E quem sabe manter esse sentimento bobo vivo aqui. Decorar de vez nossos corações com nossos tons favoritos. E sermos felizes enquanto pudermos.
Confia em mim, e vem ser meu amor recíproco? "


Gabriela Costa

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Coração de Garota - Cansaço de Amor




"Cansaço. Depois de tudo, é assim que eu descreveria o que a gente viveu. Obviamente eu preferia “amor" ,"cumplicidade" , “amizade", o que fosse. Mas quando eu penso em você, só consigo pensar em “cansaço" . Como se eu tivesse andado por 1Omil KM pra no fim, chegar em lugar nenhum. Como se eu tivesse escalado uma montanha bem alta, pra no fim a vista ser de apenas uma rocha. Exausta. Você tem sua crença sobre mim. Sobre quem você acha que eu sou. Talvez cabeça dura demais pra perceber que eu me mostrei de verdade. Uma eu que poucos conheceram.  Mas minha exaustão já não permite mais que eu me esforce pra te provar, pra te fazer enxergar qualquer coisa.
Estou cansada das suas mentiras e desculpas incabíveis, cansada do seu jeito meio malandro, meio largado. Cansada da sua mesma velha fotografia com sorriso de menino, dos seus olhos bonitos, do seu cabelo invejável, cansada de lembrar sua voz rouca, do seu melhor abraço do mundo, das suas queixas sobre sua insolação, da sua companhia nas minhas madrugadas insones , das suas sismas sobre meus amigos gays, das suas ótimas histórias, cansada da sua valentia, da forma como você faz meus medos parecem tolos.
Estou exausta de tentar provar que o que eu senti foi real. Que eu não menti quando disse que me importava com você, de que eu não tinha razões pra deixar você de verdade.  Exausta de explicar todos os motivos dos meus erros, como se você não tivesse errado também, de pedir desculpas, de correr atrás, de tentar me justificar, como se você não me conhecesse. Exausta de tentar demonstrar algo, provar algo em que você não se interessava. Não quis fazer acontecer. “Ah, mas eu tentei uma vez…"  Legal, mas não foi o suficiente. O pouco caso torna qualquer um inseguro. O “mais ou menos" não atrai ninguém. Muito menos eu, que gosto de intensidade. Gosto do muito.  Gosto de me sentir pequena na imensidão da grandeza, seja ela qual for.  Sou 8 ou 8O . A partir do momento que ficou mais cômodo a você julgar do que se mover e tentar saber o “porque" de tudo, sua passividade se mostrou. Eu queria ver você se levantar e dizer “opa, o que foi?"  . Mas não houve atitude. Apenas seu dedo apontando meus erros.  Você tinha toda a minha atenção. Já parou pra pensar que no fundo no fundo, eu só quisesse um pouquinho mais da sua? 
Agora não tem mais com o que se preocupar. Eu que era quente e apaixonada, só me sinto cansada. Deixei pra lá. E você se tornou verdadeiramente o “mais ou menos" que não me atrai. Já é tarde pra tentar um recomeço. E eu? Após uma soneca, vou ter todas minhas forças renovadas para caminhar 1Omil KM com alguém que tope andar de mãos dadas comigo. E que seja muito. "
Gabriela Costa